Logotipo - Um estudo de caso do Kabúdio

Logotipo – Processo de criação e estudo de caso

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Muitas vezes nos deparamos com um logotipo e pensamos: “Que logotipo bacana! Gostei!” Quem sabe fiquemos intrigados sobre o que exatamente ele representa.

  • Será que existe um porquê para cada coisa?
  • Foi rápido criá-lo?
  • Como foi o processo de criação?
  • Por quais transformações ele passou?

Se você tem curiosidade em saber como o logo do Kabúdio foi criado, verá aqui como foi a sua gênesis.

Para nós foi um processo bastante agradável ver o seu nascimento, seu crescimento até chegar à maturidade em um curto período de tempo.

Veja como foi.

Você precisa de um designer!

Acredite

Se há alguém que acredita que pode fazer qualquer coisa... este alguém sou eu.

Formado engenheiro químico, atuei na área de informática por mais de 20 anos, fotógrafo há mais de 3 anos, dei uma de eletricista quando refiz toda a parte elétrica de casa, reformei um banheiro ( incluindo a parte de encanador  e pedreiro ), dei uma de marceneiro quando fiz uma bi-cama para um dos meus filhos e os armários e bancada do quarto de uma filha e ,é claro, já tentei fazer alguns logos....

Em quase todos estes projetos fiquei satisfeito com a relação custo / benefício. Mesmo assim cheguei a conclusão de que para algumas coisas é melhor contar com um profissional de verdade

  • Se você quer cuidar de sua saúde, procure um médico.
  • Se precisa eternizar algum momento importante de sua vida em imagens, contrate um fotógrafo.
  • Se precisa não de um logotipo qualquer (destes que você consegue de graça ou quase num site...) mas do Logotipo que reflita o propósito de seu negócio..... contrate um designer..

Encontre o designer!

... o “seu designer”

Já trabalhei com dois designers no processo de criação de logotipos. Não basta que o profissional seja competente. Vocês precisam ver se a maneira de trabalhar combina, se "bate o santo..." No meu caso precisava ser uma pessoa paciente, muito paciente.

Trabalhar com um fotógrafo com alguma experiência em design, não é para qualquer um. Eu sei que não sou fácil.

  • Meu processo criativo é meio intempestivo, não linear.
  • Eu passo diretrizes que depois eu mesmo quebro.
  • Eu peço para mudar o que eu mesmo havia definido.
  • Às vezes, assumo que o designer conhece o que vai pela minha mente, sem nem mesmo ter dito para onde eu estava indo
  • e por aí vai....

Tenho tido "sorte" em trabalhar com profissionais excelentes, inclusive na forma como lidam com as pessoas.

Vamos ver como foi o desenrolar desta criação de Pedro Campana, que resultou neste portfolio que contém os dados de contato dele.

Meu processo de criação.

Descobrindo o destino quando eu o encontrar...

Meu processo de criação é partir de alguns conceitos e ideias e ir vendo para onde aquilo me leva. A cada materialização das idéias surgem novos subsídios que fazem ir para determinada direção

Não me preocupo em acertar de cara!

O que me importa é que a cada rodada fique claro que estou indo na “direção certa”Nem sempre eu saberei onde é o destino até que o encontre.

Atiro para vários lados e vou estreitando cada vez mais até chegar em algo que de início apenas os conceitos existiam na minha cabeça. É muito mais fácil mudar algo que já existe do que criá-lo. Por isto o papel fundamental do designer é dar forma a pensamentos fluídos, formas estas que uma vez materializadas, são passíveis de alterações….

 

Briefing

Ajude a ser ajudado.

No e-mail inicial informei o seguinte:

O Cabúdio ( no momento Kabúdio ainda se escrevia com “C” ) é FESTA, DIVERSÃO, porém com QUALIDADE da imagem ( Estúdio )…

As referências foram uma sombrinha de iluminação (usada nos eventos), o logo da Kovert que me remete a estrutura de uma girafa ( tripé de iluminação ).

Logotipo - Um estudo de caso do Kabúdio
Logotipo - Um estudo de caso do Kabúdio
Logotipo - Um estudo de caso do Kabúdio

Fatos constatados

Às vezes vamos ter que aprender a conviver com a natureza das coisas...

Por que não percebi isto antes?

Ao longo do desenvolvimento do logo, às vezes eu me perguntava: Como não percebi isto antes?

No primeiro logo com o qual decidimos trabalhar o K não continha serifas. Depois, pedimos para acrescentá-las e sofreu algumas alterações ao longo do caminho. No final, acabamos por retirá-las na última versão ( a que foi aprovada, finalmente.....)

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Kabudio-v2-round1

Kabudio-v4-round1

Kabudio-v7-Logomarca

Depois foi a tipologia do K do Kabúdio. No primeiro momento que o designer introduziu a tipografia do Kabúdio eu o parabenizei pela semelhança do K com a “girafa estilizada” na logomarca. Veja os círculos vermelhos na imagem com fundo preto abaixo.

Entretanto, eu não me dei conta de que já poderíamos usar na logomarca a mesma composiçaõ do K invertido da tipologia. Ver os destaques em vermelho na imagem com fundo branco abaixo.

Somente quando decidi fechar a parte de baixo do B é que esta ideia me ocorreu...

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To color or not to color?

Durante todo o processo de criação do logotipo, a cor veio e foi. Verão ao longo do post, várias opções de sugestão de logo onde a cor foi aplicada. Nem me preocupei em detalhar o aspecto cor naquela etapa da criação. Nem cheguei a comentar com o designer, mas eu não gosto de gradientes...
Escolher uma paleta de cores para o site é uma tarefa importante, que demanda muito esforço mas que está fora do escopo deste post. Basta dizer que investi muito tempo nesta tarefa. Eu testei vários esquemas de cores no logotipo e no site, mas nada me agradava...
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A forma do “a” e do “b” no “Kabúdio” me lembravam um óculos. Adereço usado na cabine de fotos. Tentei ressaltar o fato, preenchendo estas partes com cores da paleta. Não tenho receio de tentar coisas novas, inusitadas, mas creio ter o bom senso de desistir delas ao menor sinal de “não foi uma boa ideia”....
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As cores até pareciam boas quando vistas num site de paleta de cores como quadrados lado a lado. Pareciam bem quando aplicadas no logo, mas quando aplicadas a títulos e subtítulos no site.....  pareciam demais. O site já contem muitas imagens, muita cor e achei que a cor no logo e cabeçalhos não estavam ajudando.... Portanto era hora de desistir delas.

Outro estudo foi feito para escolher os tons de cinzas que seriam utilizados e acabamos com apenas 2. Um cinza claro e um cinza escuro. Com isto, acreditamos cumprir os objetivos necessários ao site:

  • simplicidade
  • elegância
  • minimalismo
  • contraste
  • sutileza

O resultado é a versão final que está no site e mostrado em detalhe abaixo.

Na verdade são 3 tons de cinza, pois a barra vertical que fecha a parte de baixo do B, é um cinza mais claro ainda. A idéia é que quase não se perceba a existência dela, apoiando o conceito de sutileza.

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Incógnita

Rodada 1 - Análise

Um início difícil

Preocupação. Foi o primeiro sentimento que tive. Meu e-mail de resposta começava com: “Obrigado pelo retorno, mas não gostei de nenhum deles.”

A comunicação é fundamental. Com certeza, em algum ponto eu havia falhado, pois não havia conseguido passar corretamente o que eu desejava. O e-mail seguinte procurou resolver este problema.

 
Podemos pensar em Cabúdio separado foneticamente:  Ca  + Budio, disto podemos pensar em K B  de Ca – Budio….
 
Se pensarmos apenas nas letras KB podemos ir para o Pedestal / Girafa que dá para estilizar no K (como no exemplo do Kovert) e usar a forma de duas sombrinhas de estúdioformando o B.
 
Conseguir uma logomarca (só o KB) com estes conceitos sem ficar muito poluído…
 
Usar a essência destas formas:  Linhas retas do pedestal insinuando o K sem ser explícito e as curvas das sombrinhas moldando o B.

Onde eu estava com a cabeça? Duas sombrinhas…. Teria ficado pesado demais… Ainda bem que o designer ignorou esta parte….

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Começamos a falar a mesma língua.

Rodada 2 - Análise

Uma logo marca começa a se formar

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A logo marca começa a tomar forma. Solicitamos incluir serifas (em verde) nas linhas do K, remover (em vermelho) o traço vertical do B, trabalharmos com 2 pesos ( laranja e azul claro ) nas curvas do B e estender a parte superior do B em direção a haste superior do K e o cruzamento das curvas do B. As sugestões foram documentadas em programa bastante rudimentar como se pode ver acima…
 
Neste ponto havia sido solicitado para trabalharmos com 3 pesos para os traços utilizados.
 
  • O mais pesado é o K da forma que está.
  • Um pouco mais leve a parte laranja do B (talvez ½ do peso)
  • Mais leve ainda ( ¼ do peso do K ) a parte de baixo do B ( em azul )

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Várias boas opções

Rodada 3 - Análise

Início dos refinamentos

 

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As solicitações foram efetuadas, com exceção da extensão das curvaturas do B, o que não fez a menor falta. Na versão escolhida nesta fase, algumas coisas me incomodaram:

  • A largura da serifa na haste superior do “K”
  • O chanfro inclinado na parte central do “K”
  • A aparência do numeral 3 que o “B” sem a parte vertical apresenta
  • Os 3 “gaps” que existem entre alguns elementos, ( em azul ) acabaram ficando sem qualquer proporção em relação aos outros elementos.

Foi solicitado diminuir o peso da haste superior do “K” ( em vermelho ), diminuir a serifa e deixar o chanfro do “K” em 90° ( indicado pelos quadrados em amarelo ) e remover a parte reta da base do “B” ( retângulo amarelo ). Quanto as proporções para os “gaps”, sugeri usar o tamanho da perna do “K” como base e usar medidas como ¼, ½ e ¾ da medida base. Nas figuras da rodada 4 ( abaixo ) isto fica bem claro.

Rodada 4 - Introdução da tipografia

Ajustes finos na logo marca

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Kabudio-v4-detalhes

 

Rodada 4 - Análise

Início dos refinamentos

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Simplificação e consistência. Notamos que a simetria de pesos dos traços grossos e  finos pode ser conseguida com apenas dois pesos. Decidimos deixar a parte de baixo do “K” com o mesmo peso da parte de cima do “B” . Deixar a serifa de baixo do “K”  com a mesma largura da de cima. Deixar a extensão do traço fino do “K” por sobre o traço grosso com a mesma distância do “gap” superior ( retângulo azul ).

O “K” da tipologia escolhida possui o mesmo padrão do grafismo do “K”, onde a parte de cima passa além da parte de baixo….
Kabudio-v4-tipografias-single
 
Resolvemos também brincar com os pesos do texto “Kabúdio”. Como Kabúdio vem da Cabine que virou Estúdio, decidos deixar o “Ka” mais leve que o “búdio”.

Rodada 5 - Opções para o subtítulo

A logo marca estava "OK", mas de repente tudo mudou!

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Rodada 5 - Análise

Uma pequena mudança que gerou uma grande consequencia

 

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Aqui era apenas para eu escolher o tipo de fonte para o subtítulo do site ( A cabine que virou estúdio ) mas como uma coisa puxa a outra

Eu decidi tentar enfatizar a referência à sombrinha de iluminação fechando a parte de baixo do “B”. Quando eu fiz o traço em laranja na imagem acima parecia fazer todo o sentido que ele fosse um pedaço da parte vertical do “K” que desde o início havíamos decidido por não mostrar….
 
Com isto, todos os “gaps” e outros detalhes dos componentes do “K” precisariam ser alterados.
 
Consideramos também o alinhamento do texto com a logo marca. Não queríamos deixar o espaço horizontal do logo muito grande, pois isto limita o tamanho do menu principal no site. Portanto foi solicitado diminuir o tamanho da logo marca para que ficasse com a mesma altura do título (Kabúdio) e subtítulo ( A cabine que virou estúdio ).

Rodada 6 - O traço vertical do K aparece

O fechamento da "sombrinha" fez o "K" ganhar parte do traço vertical

Logotipo - Um estudo de caso do Kabúdio

Rodada 6 - Análise

A tipografia falou mais alto

Kabudio-v6-round1Foi neste ponto que notei a beleza das proporções do “K” do Kabúdio. Decidi alterar o “K” da logomarca para ser uma versão do “K” da tipografia espelhado.

Uma mudança que havia se perdido em algum momento é o peso da parte de baixo do “K”. Deve ser igual a parte de cima do “B”. Indicado pela seta desenhada a mão em lilas/roxo.
 
 
Para facilitar a compreensão da colocação a seguir, mostro parte da imagem final do logo com desaques em vermelho.
 
Kabudio-v7-K-invertido

 

 

Notei que a distância “L” entre o topo da perna inferior do “K” e a parte vertical na tipografia ( indicado pelas linhas verdes ) era bem menor que na logo marca ( indicado pelas linhas azuis )

 
A proporção entre o “L” e a altura “H” na tipografia( indicada pelas linhas horizontais vermelhas ) era diferente das mesmas medidas na logo marca.
 
Seria preciso mover o bloco do “B” ainda mais para a esquerda para acertar as proporções mencionadas
 
Como a tipografia do Kabudio é uma fonte sem serifa, agora não faz mas sentido mantê-las no “K” estilizado da logomarca….
 
Na tipografia, ainda não estava tranquilo quanto ao subtítulo. Achei que a fonte estava “comum demais”  e um pouco estreita. Sugeri a fonte Google Quatrocento Regular 400 tamanho 32px. O subtítulo não poderia competir com o Kabudio.

Rodada 7 - A versão final

Perguntaram para um escritor por que ele publicava livros.

Sua resposta: Para parar de editá-los!

  1. Hugo Barbosa

    Muito interessante o processo de criação do logo. Como cada item, parte e pedaço foi pensado voltado para a área de atuação e usando seus elementos como a sombrinha e o pedestal. Se estamos em constante desenvolvimento e evolução, porque nossas criações também não devem estar!? Abraço e sucesso.

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